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Seja bem vindo ao blog do Seminário Nossa Senhora da Piedade da Diocese de Coroatá - MA

sábado, 31 de março de 2012


A formação presbiteral, em vista do Presbiterado na Diocese de Coroatá, quer ser o inicio de uma nova etapa na vida da Igreja de Deus. A nossa formação, no inicio da Diocese  em 1977 ate 2000, foi ministrada por padres de outras  dioceses, no sistema do Seminário Inter-diocesano Santo Antonio. Entretanto da parte dos próprios seminaristas, começou a surgir o desejo de que cada Diocese formasse  o seu próprio seminário, com uma formação apropriada para  realidade de cada Diocese. Nessa perspectiva, em 2000 foi inaugurado o nosso próprio seminário, abrigando os estudantes de filosofia e teologia, atendendo assim um antigo e precioso sonho. O seminário foi batizado com o nome Seminário Nossa Senhora da Piedade, seguindo o nome da padroeira da nossa Diocese e pedindo-se as suas bênçãos, para este novo empreendimento que ora começava.
E claro que a Diocese deve organizar seu quadro de formadores e, criteriosamente, fazer a sua opção formativa, pois uma formação embasada apenas na boa vontade e no improviso acaba por não atingir a sua meta e não imprimir a sua face.
O clero da Diocese de Coroatá, como na maioria das Dioceses do Nordeste, provem do meio rural, das cidades pequenas  e poucos, da periferia das grandes cidades.
Como antes, agora mais do que nunca, è papel da Equipe de Formação esclarecer e ajudar o seminarista a “saber discernir as motivações profundas, seus valores escondidos e seus anseios mais autênticos”.  Estas diretrizes, inspiradas em grande parte no trabalho da equipe de formação da Diocese de feira de Santana-Ba e da Diocese de Jaboticabal-SP, e adaptadas as orientações no momento utilizadas como Regional Nordeste-V. Dentro desta proposta contem varias sugestões apontadas pelo  Pe. Helio, indicações surgidas durante os dois cursos de formadores feitos em Roma em 2006 e 2007. Como também, em consonância com as orientações da CNBB e com sugestões de outras Dioceses do Brasil, para construir o Projeto de Formação Presbiteral da nossa Igreja particular em Coroatá. A mesma deverá ser avaliada  e aprovadas pelo Conselho de Formação da Diocese, para assim servir de orientação para o trabalha formativo do Seminário Nossa Senhora da Piedade.

Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa se quisermos ser fieis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo. Que significa isto concretamente? (...) antes de programar iniciativas concretas, è preciso promover uma espiritualidade da comunhão, elevando-a ao nível de princípios educativos  em todos os lugares onde se plasmam o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados, os agentes de pastorais, onde se constroem as famílias e as comunidades...” [1]
“Em vista do amadurecimento integral e harmônico do futuro pastor, tenham-se presentes as diversas dimensões pastoral, humano-afetiva, comunitária, espiritual, e intelectual bem como a integração e articulação das mesmas, Diocese e Seminário se esforcem para elaborar um plano progressivo e integrado de metas concretas nos vários aspectos e etapas do processo formativo, prevendo-se conteúdos temáticos correspondentes”.[2]

É urgente a formação de pastores preparados enfrentar os desafios da Igreja no terceiro milênio apenas iniciado, pois estamos assistindo a mudanças significativas na sociedade em termos de tecnologia e de ciência, bem como ao desenvolvimento de atitudes questionadoras como o individualismo e o relativismo, envolvendo seriamente o problema da dignidade humana, que vem afetar o próprio desenvolvimento da pastoral eclesiástica.
O nosso objetivo primeiro para a formação de presbíteros que hoje e no futuro deverão enfrentar e responder ao fenômeno da secularização, é de oferecer subsídios necessários para trabalhar na defesa da dignidade de cada pessoa levando-a a responder a sua vocação primordial à vida em Deus. Para que isto aconteça, é necessário que o formando tenha também uma visão global da situação do homem na sociedade e convicção plena de que a salvação do homem está em um encontro decisivo com Jesus Cristo e em uma opção radical por Ele.
Tendo diante de nossos olhos esta preocupação, queremos traçar algumas diretrizes gerais para a formação dos futuros presbíteros, que em primeiro lugar devem tomar consciência plena de sua vocação batismal e, vivendo um discipulado cujo mestre é Jesus Cristo, configurar-se a Ele como o Bom Pastor que “ conduz o seu rebanho para verdes pastagens” (Cf. Sl, 23). Para um “ apostolado” eficaz, é necessário um discipulado onde se aprende a ser misericordioso, sensível à situação do homem e, sobretudo, aberto ao projeto do Pai. Em nosso processo, portanto, o primeiro formador é o próprio Cristo que, por sua vez, usa instrumentos que servem de mediação para que ocorra este contínuo contato entre o Mestre e o discípulo. Estes instrumentos identificam-se com a pessoa de cada formador que busca também o próprio aperfeiçoamento em assemelhar-se a Jesus Cristo Bom Pastor.
O futuro presbítero, para ter um ministério eficaz, há de ter consciência do que seja a Igreja de Cristo: não uma simples instituição, mas sim, corpo de Cristo, templo espiritual e esposa do Cordeiro. É assim que ele será conduzido a amá-la presente em cada batizado, que faz parte deste grande corpo e templo, como o próprio esposo a amou entregando-se por ela. Pastoreando o rebanho de Cristo, haverá de ter consciência de que deverá conduzir todo o povo de Deus para o Reino definitivo, cujo início de uma realização plena se dá nesta vida. O candidato ao presbiterado é chamado, como cristão a responder ao apelo que Cristo fez aos seus discípulos: sede sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13ss). De tal modo, há a necessidade em formar uma consciência capaz de manifestar-se em um testemunho vivo de amor e comunhão.
Dentro da Igreja, o seminário, como lugar de preparação e formação ao presbiterado, haverá de ser a escola da comunhão e do amor a Cristo e aos irmãos (cf. NMI, 43).

1. Sentido da  Vocação
As motivações e as razoes que despertam a vocação podem, variar muito de pessoa para pessoa. Pode acontecer que, inicialmente, as motivações sejam superficiais ou ingênuas, mas, mesmo assim, devem ser consideradas pelos promotores vocacionais, já que Deus pode valer-se  de qualquer situação para fazer o chamado. Com o tempo, os educadores e os formadores darão elementos para o aprofundamento das motivações, a fim de que sustentem a vocação ao longo da vida.
Deus chama o ser humano a uma vocação especifica dentro do grande chamado à existência e à felicidade. O que vem a ser, então, a vocação? A vocação, entendida como o fato no qual Deus chama, elege ou predestina, è universal e nela não há distinção de pessoas;  Deus, revelando-se, oferece a todos o poder de chagar a ser irmão, do mesmo modo que, tendo manifestado sua santidade no Filho, a oferece a todos os seus discípulos.
A vocação não è um processo acabado, fechado, mas como relacionamento que è, precisa se questionar, renovar-se, dinamizar-se e crescer como è da natureza do ser humano, pois “quem è que percebe perfeitamente, em antecipação, o que quer dizer uma opção para a vida? Ninguém. Só depois que a viveu è que pode dizê-lo. E pueril pretender que se conheça, logo de inicio, todas as implicações que uma opção ‘para a vida’ comporta. Em certo sentido, uma tal opção è sempre um pulo no escuro: porque è um ato de fè”(Arnaldo Pigna). È o encontro do Deus que chama e do ser humano que responde, as  apalpadelas, mas que se confirma e se fortifica, ou não, no decorrer do próprio desenvolver-se.
O chamado vocacional è um chamado a ser discípulo de Jesus. A vocação se dá em circunstancias e necessidades concretas. Não se tem vocação para nada.  A vocação è sempre para realizar algo, para ser sinal de alguma coisa ou de alguém, ou melhor, a vocação è sempre um modo de Deus se fazer presente e atuante em meio a historia. Deus chama, levando em conta as marcas da realidade em que o vocacionado vive. Deus chama, para que seja continuação da vida e da ação do seu Filho. A vocação è um dom, mas que precisa ser colocado a serviço.


[1] João Paulo II, Novo Milênio Ineunte, n° 43.
[2] DBFP, n° 92.

O Domingo de Ramos

O Vaticano II restaurou a ordem dos domingos da quaresma. De fato, na Segunda metade do século VII, o quinto domingo da Quaresma começou a chamar-se primeiro domingo da Paixão ou Domingo de Ramos. O Vaticano II recolocou em vigor o quinto Domingo da Quaresma antes da Páscoa: chama-se agora “Domenica in Palmis de Passione Domini”. Essas modificações na liturgia desse Domingo suscitam um problema antigo. A Antiga tradição romana celebrava antes de tudo a Paixão do Senhor, no Domingo antecedente à Páscoa. Na lógica dos fatos ocorridos seria melhor celebrar apenas a entrada do Senhor em Jerusalém, como se fazia na Espanha, na Gália e no Oriente. Em Roma, as comunidades estavam afeiçoadas à celebração do Domingo da Paixão também a entrada de Jesus em Jerusalém.
A reforma do Vaticano II prevê três tipos de celebração da entrada de Jesus em Jerusalém:
a)A primeira forma consiste numa procissão que vem de fora e tem como ponto de partida um lugar de reunião dos fiéis, fora da igreja. A celebração se inicia com um cântico, por exemplo, Hosana ao filho de Davi. O celebrante saúda os presentes e os convida a participar ativamente da celebração, dando significado ao que se recorda e se quer atualizar hoje.
Há proclamação do evangelho que conta a entrada de Jesus em Jerusalém e se inicia a procissão para dentro da igreja. Chegando ao altar, que pode ser incensado, omite-se o rito de introdução e se diz a oração da missa. O sacerdote, desde o início da celebração, deve usar paramentos de cor vermelha e não mais roxa.
b) A Segunda forma tem como cenário a própria igreja. Há uma entrada solene, os fiéis estão reunidos diante da porta da igreja, levando nas mãos ramos de oliveira ou de palmeira. Benzem-se os ramos, proclama-se o evangelho. Tudo se faz num local apropriado no corpo da igreja e, depois, o celebrante se dirige à cadeira, onde reza a coleta da missa.
c)A terceira forma é mais simples e consiste num canto de entrada que comemora a entrada de Jesus em Jerusalém. Onde não se puder realizar nem a procissão nem a entrada solene na Igreja, pede-se que se faça uma celebração da palavra que recorde o episódio da vida de Jesus que se quer comemorar.
                       
O acordo do Vaticano II suprimiu a proclamação do relato da Paixão na Terça e na Quarta-feira santas. Mas é proclamado no Domingo de Ramos, conforme um dos relatos dos Sinópticos.